Depois de conhecer 17 países, descobri a forma mais divertida (e maluca) de viajar

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Depois de viajar para muitos lugares diferentes e em diversos formatos, acho que eu finalmente descobri a maneira mais divertida (e maluca) de viajar.

Acredito que o perrengue é parte de todas as viagens que você faz e, muitas das vezes, ele é evitado. Mas, depois de uma situação quase traumática em Madrid, eu percebi que forçar perrengues é a melhor forma de você realmente estar presente e viver o local.

Deixa eu contextualizar: depois de 5 meses morando na Europa e visitando diferentes países, na última semana antes de voltar para o Brasil, eu fui para a Espanha.

Eu tinha um plano.

Minha ideia era chegar no aeroporto de Madrid e ir visitar Salamanca. Eu sabia exatamente qual ônibus pegar, mas eu tinha um complicador: eu tinha dinheiro físico somente e não muito dinheiro no cartão.

Se você já esteve em algum país estrangeiro nessa situação, talvez saiba que, se você não é cidadão e não possui conta bancária no país local, não é possível depositar dinheiro na sua conta digital (o que eu acho um absurdo para um mundo globalizado).

Guess what: a estação de ônibus do Aeroporto de Madrid só aceita compra de ticket online, sem balcão. E, aparentemente, eu não tinha a tal da tarjeta para efetuar a compra do ticket.

Depois de 20 minutos pensando no que eu poderia fazer, decidi sair do aeroporto e ir para a estação no centro da cidade, onde com certeza teria atendimento físico.

Defini no Google Maps a melhor rota e fui... No caminho, tive um problema: meu celular acabou a bateria (eu estava sem powerbank). Cheguei na estação e não tinha lugares para carregar o celular. A partir daí, eu percebi o quão dependentes de um dispositivo nós somos. Tive que me virar sozinho, em um país estrangeiro, em lugares que eu nunca tinha estado antes.

  1. Sem tradutor;
  2. Sem Maps;
  3. Sem meios de comunicação.

Só consegui carregar o celular 7 horas depois, quando cheguei em Salamanca. Foram 7 horas que me ensinaram muito mais do que se eu estivesse com o celular.

Eu estive mais presente e ligado do que nunca e fui obrigado a interagir com os locais. Meu espanhol não é o melhor e, naturalmente, eu evitaria o máximo de contato com as pessoas possível. O celular me permitia isso de forma quase integral, mas eu precisava pedir ajuda, perguntar as horas e direções.

No fim do dia, quando cheguei no hotel, estava com uma sensação ótima: a de alguém que teve que colocar a cara a tapa porque não tinha todas as respostas na palma da mão.

Dias depois, eu voltei para Madrid e eu tinha bateria, mas decidi desligar os dados móveis. Meu objetivo? Achar o hostel sem criar uma rota no Maps, só seguindo o mapa da estação de metrô e pedindo informações para estranhos. Deu certo! Não da forma mais eficiente: errei o caminho, parei onde eu não deveria, mas…

  1. Conversei com estranhos em um espanhol que inventei;
  2. Aprendi a ler o mapa do metrô;
  3. Vi lugares que eu não veria se tivesse seguido o plano;
  4. A sensação de encontrar o hostel foi muito mais gratificante do que se eu soubesse exatamente para onde estava indo.

Foi aí que eu percebi que, às vezes, a facilidade não está inteiramente ligada a algo bom. Você segue estritamente aplicativos que facilitam sua vida e dificilmente o plano dá errado. O problema? Você vai no modo automático.

Percebi como o celular rouba o privilégio de pensar antes de agir, rouba sua atenção e te impede de realmente viver sua viagem.

Eu definitivamente vou forçar situações assim novamente nas minhas próximas viagens.


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